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Investigação sobre contrato de R$ 348 milhões motivou exoneração de ex-secretário de Educação de MG, diz CGE

Audiência pública realizada na ALMG nesta quarta-feira (27) Guilherme Bergamini A exoneração do ex-secretário de Educação Rossieli Soares foi motivada po...

Investigação sobre contrato de R$ 348 milhões motivou exoneração de ex-secretário de Educação de MG, diz CGE
Investigação sobre contrato de R$ 348 milhões motivou exoneração de ex-secretário de Educação de MG, diz CGE (Foto: Reprodução)

Audiência pública realizada na ALMG nesta quarta-feira (27) Guilherme Bergamini A exoneração do ex-secretário de Educação Rossieli Soares foi motivada por uma investigação da Controladoria-Geral do Estado (CGE) sobre um contrato de R$ 348,4 milhões para a aquisição de materiais didáticos para escolas. O documento foi assinado no dia 23 de dezembro de 2025 e prevê a distribuição de aproximadamente 3,5 milhões de exemplares de livros para alunos e professores dos ensinos fundamental e médio (leia mais abaixo). Rossieli foi exonerado em 27 de abril. O governo de Minas disse, à época, que o motivo foi uma investigação da CGE, mas não deu detalhes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Nesta quarta-feira (27), a controladora-geral do estado, Marcela Oliveira Ferreira Dias, afirmou que a denúncia de um servidor público, em 16 de dezembro de 2025, deu início às apurações. Ela foi ouvida em uma audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Agora no g1 De acordo com Marcela Dias, em 9 de janeiro, a CGE emitiu um primeiro relatório preliminar sobre o caso e apresentou as informações ao então secretário-geral do estado, Marcel Beghini. Em 27 de abril, as conclusões de um segundo relatório foram levadas ao governador Mateus Simões (PSD). A exoneração de Rossieli foi anunciada no mesmo dia. A coordenadora-geral não esclareceu qual foi o envolvimento do ex-secretário no caso e por que ele foi exonerado. As investigações ainda estão em andamento. Contrato está em vigor, e empresa já recebeu R$ 170 milhões A presidente da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), questionou o fato de o contrato alvo das investigações ainda estar em vigor. Segundo ela, a empresa contratada, Fazer Educação, já recebeu cerca de R$ 170 milhões. A contratação se deu sem realização de licitação própria – o estado aderiu a uma ata de registro de preços criada em São Paulo. 🔎 A adesão à ata de registro de preços é um mecanismo que permite que um órgão público contrate uma empresa usando uma licitação já realizada anteriormente por outro órgão. Na prática, em vez de abrir uma nova concorrência, o governo “pega carona” em um contrato já existente. "Por que o governo continuou com esse contrato, fazendo inclusive já o pagamento de R$ 170 milhões?", perguntou Beatriz. Investigações continuam A deputada Lohanna (PV) questionou o que, de fato, levou à demissão do ex-secretário de Educação Rossieli Soares, o que não foi esclarecido pela controladora-geral. "Por que o secretário foi demitido? [...] O que tinha nesse relatório do dia 27 [de abril] de tão grave que no dia 28 saiu a demissão dele no Diário [Oficial do Estado]? A gente precisa saber", afirmou a parlamentar. Marcela Dias disse que não poderia dar detalhes sobre a investigação para não prejudicar o procedimento, ainda em andamento. A previsão é que a conclusão ocorra em até 60 dias. "Não faz parte da competência da CGE realizar medidas de gestão. O que a gente faz realmente: apura denúncias e faz relatórios imparciais, técnicos, que são levadas aos gestores. E são os gestores que tomam, com base na gestão de risco de cada um e a sua responsabilidade, as decisões", declarou a controladora-geral do estado. O que dizem as partes O ex-secretário de Educação Rossieli Soares afirmou que, até o momento, "não teve acesso a qualquer relatório relacionado à apuração, nem durante o exercício de suas funções à frente da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, nem após sua saída do cargo". Ele disse que a contratação "seguiu integralmente os parâmetros legais [...], com comprovação objetiva de vantajosidade econômica". "O ex-secretário afirma que está absolutamente tranquilo em relação à sua atuação, conduzida com rigor técnico, legalidade e compromisso com o interesse público". O g1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação e com a Fazer Educação, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Vídeos mais vistos no g1 Minas: