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'Atravessaram minha mão de faca': o que vítimas relatam sobre supostas torturas em uma das maiores torcidas organizadas do país

Diretoria da BAMOR é presa, acusada de tortura Uma sala localizada no subsolo da sede da Bamor, principal torcida organizada do Esporte Clube Bahia, é apontad...

'Atravessaram minha mão de faca': o que vítimas relatam sobre supostas torturas em uma das maiores torcidas organizadas do país
'Atravessaram minha mão de faca': o que vítimas relatam sobre supostas torturas em uma das maiores torcidas organizadas do país (Foto: Reprodução)

Diretoria da BAMOR é presa, acusada de tortura Uma sala localizada no subsolo da sede da Bamor, principal torcida organizada do Esporte Clube Bahia, é apontada pelas autoridades como palco de sessões de tortura promovidas por integrantes da direção da entidade. A investigação, conduzida pelo Ministério Público da Bahia, reúne relatos de vítimas, áudios e apreensões feitas durante uma operação policial realizada no fim de setembro. O caso ganhou impulso após o acesso dos investigadores a mensagens de áudio atribuídas ao presidente da torcida, Matheus Pires Castro, nas quais são descritas agressões contra pessoas consideradas suspeitas de irregularidades internas. Em um dos trechos, ele afirma: "Amanhã a gente vai pegar ele daquele jeito. Vai ser uma cena triste". Em outro, diz que o alvo deveria sair "com a mão esmagada". Quatro horas de agressões Uma das vítimas, que integrou a organizada por 18 anos e chegou a ocupar funções de liderança, afirma ter sido convocada para prestar esclarecimentos sobre uma suposta fraude envolvendo o cadastro de sócios. Segundo seu relato, a reunião rapidamente se transformou em uma sequência de agressões. "Começaram a me bater com o martelo. Depois pegaram minha mão, atravessaram minha mão de faca, me deram quatro facadas na mão. Pegaram um taco de beisebol de madeira e começaram a desferir golpes. Botaram um saco na minha cabeça para me sufocar", afirmou. A vítima diz que, apesar das acusações, os dirigentes não conseguiram comprovar sua participação em qualquer desvio de recursos. "Eu fui agredido inicialmente pelo presidente e, após isso, o quadro de diretores iniciou um processo de quatro horas de tortura comigo. Também houve agressões psicológicas, dizendo que eu deveria assumir e que iam atrás da minha família." 'Mata logo', relata outra vítima Outro homem ouvido pela reportagem prestava serviços de tecnologia para a organizada. Assim como a primeira vítima, ele afirma ter sido acusado de envolvimento em desvios financeiros. Segundo o relato, a agressão começou depois que ele sugeriu levar o caso à polícia. "Me chamaram para uma sala. Eu não imaginaria que seria uma sala de tortura. Quando falei que a gente deveria ir para a delegacia prestar queixa, comecei a ser agredido com esse taco de beisebol nas pernas, nos braços e nas costas. Depois vieram muitos chutes e pontapés." Ele afirma que a violência ocorreu diante de integrantes da diretoria da torcida. "Nessa sala estavam o presidente e o vice-presidente. Também ouvi eles mandando: 'Mata logo'." O homem ainda relata que, durante as cerca de quatro horas de agressões, foi obrigado a fornecer a senha do celular e teve mais de R$ 5 mil retirados de sua conta bancária. No dia seguinte, procurou a polícia para denunciar o caso. Operação e prisões No fim de setembro, uma operação conjunta do Ministério Público da Bahia e das polícias Civil e Militar cumpriu mandados de prisão e de busca contra integrantes da Bamor. Entre os presos estavam o presidente, Matheus Pires Castro, e o vice-presidente, Luciano Venâncio. Durante as buscas, os agentes apreenderam um taco de beisebol, martelos e um alicate. As vítimas afirmaram reconhecer os objetos como os mesmos utilizados nas agressões relatadas De acordo com o Ministério Público, as pessoas eram atraídas para reuniões na sede da torcida e submetidas a intenso sofrimento físico e psicológico com o objetivo de obter confissões. Defesa nega acusações Em nota, as defesas de Matheus Pires Castro e Luciano Venâncio afirmaram que os dois são inocentes e que todas as medidas judiciais cabíveis estão sendo adotadas. Violência além dos estádios O caso ocorre em um contexto de preocupação das autoridades com episódios de violência envolvendo torcidas organizadas na Bahia. Desde 2017, clássicos entre Bahia e Vitória são disputados com torcida única dentro dos estádios, medida adotada para tentar reduzir confrontos entre grupos rivais. Ainda assim, ocorrências violentas continuam sendo registradas fora dos locais das partidas. Para o Ministério Público, os crimes investigados não podem ser confundidos com a atuação da maioria dos torcedores. "Deveria ser uma entidade voltada a valorizar o esporte e a confraternização. O que se pratica no seu seio são atos de violência dessa natureza", afirmou o promotor responsável pelo caso. Diretoria da BAMOR é presa, acusada de tortura Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.